Residência projetada pela Casé Arquitetura combina o espírito de refúgio na Serra com a estrutura de uma moradia permanente

Casa de campo para morar
Texto: Revista Habitare · Fotos: Paula Chaffin
É sim uma casa no campo. Mas não aquelas para os fins de semana e momentos de lazer. A residência do Sítio Santa Luz foi construída como a moradia principal do iluminador Rogério Magalhães, que trocou o Rio pelo Vale das Videiras, na Serra Fluminense, em busca de um estilo de vida mais tranquilo e próximo à natureza.
Para atender a seus desejos, sem abrir mão do conforto e funcionalidade que uma casa permanente exige, e ainda receber as duas filhas que seguem morando no Rio, o projeto da Casé Arquitetura previu a construção em uma das cotas mais altas e planas do terreno, reduzindo a movimentação de terra e privilegiando a vista para a paisagem. A partir dessa orientação, as áreas de convivência e as varandas se voltam para o exterior, fazendo do verde uma presença constante na arquitetura.
A planta se organiza em três módulos: no centro, a área social reúne cozinha, sala de jantar e estar em um único ambiente integrado, que se prolonga até a varanda externa, onde um banco de eucalipto convida à contemplação. As laterais abrigam, de um lado, a suíte principal, com closet, banheiro e varanda própria. Do outro, duas suítes destinadas às filhas e aos hóspedes. Os três volumes são conectados por circulações envidraçadas, com cobertura de vidro e grandes superfícies voltadas para o jardim. Iluminados zenitalmente e cercados por vegetação, esses espaços de passagem assumem a atmosfera de pequenos jardins internos.
“A arquitetura também estabelece um diálogo direto com o terreno. Durante a preparação do platô, uma grande pedra foi encontrada e incorporada ao projeto, passando a ocupar um dos jardins entre os módulos. A estrutura aparente em eucalipto roliço reforça a linguagem de casa de campo e se estende aos interiores e às varandas”, conta a arquiteta Marcela Casé, responsável pelo projeto.
Na área social, a cobertura de telha cerâmica recebe um lanternim que leva luz natural ao centro da casa. Nas circulações, o vidro substitui a telha, enquanto lajes cobrem os banheiros. A materialidade segue a mesma simplicidade. O cimento queimado percorre áreas sociais, cozinha e banheiros, incluindo as bancadas, criando continuidade entre os ambientes. Nos quartos, o assoalho de peroba-rosa de demolição acrescenta calor e acolhimento, enquanto ladrilhos hidráulicos e cimento pigmentado de amarelo introduzem cor nas pequenas varandas.
Em uma cota mais baixa do terreno, foi construída uma área gourmet que funciona como um segundo núcleo de convivência. Seu guarda-corpo se transforma em banco contínuo e a cobertura, feita de peças roliças justapostas, funciona como pergolado, filtrando o sol e desenhando sombras ao longo do dia.
“Despojada e profundamente conectada ao entorno, a casa traduz a escolha de morar na serra sem perder a sensação de estar, todos os dias, em uma casa de campo”, finaliza Marcela.
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