Projeto da arquiteta Fernanda Zeitune cria ambientes funcionais, acolhedores e preparados para a longevidade dos moradores

Cozinha integrada vira o novo ponto de encontro da família
Texto: Revista Habitare · Fotos: Luiza Schreier
Depois de mais de duas décadas vivendo no mesmo apartamento, Jô e Tom Zé decidiram transformar o ambiente onde mais gostam de estar. Casados há muitos anos, pais de dois filhos advogados e avós dedicados, eles sonhavam com uma cozinha ampla, integrada à sala e pensada para receber a família com conforto.
O desejo começou a tomar forma quando conheceram a arquiteta Fernanda Zeitune, da Janeiro Arquitetura.
“Foi muito gratificante ver esse projeto ganhar vida. Os dois participaram ativamente de todas as decisões e tinham muito claro o que desejavam: uma casa mais prática, acolhedora e preparada para acompanhá-los por muitos anos”, conta Fernanda.
Moradores do apartamento desde a entrega do edifício, em 1999, Jô e Tom Zé queriam que a reforma privilegiasse a convivência, sem abrir mão da funcionalidade e da acessibilidade.
A principal intervenção foi a integração entre a cozinha e a sala. Para garantir flexibilidade de uso, a arquiteta manteve uma porta de vidro entre os ambientes, que permite isolamento acústico e térmico quando necessário, especialmente durante o uso do ar-condicionado.
“A integração não significa abrir mão do conforto. A porta de vidro oferece o melhor dos dois mundos: ambientes conectados no dia a dia e independentes quando necessário”, explica.
A reforma, no entanto, trouxe desafios importantes. Um pilar estrutural, o quadro elétrico e uma tubulação predial localizada exatamente na parede entre sala e cozinha não podiam ser removidos. Em vez de enxergar essas limitações como obstáculos, Fernanda as transformou em parte do projeto.
“Sempre digo que as restrições podem revelar as melhores soluções. O quadro elétrico passou a organizar toda a marcenaria. Criamos um nicho para a geladeira, uma cristaleira integrada ao painel e uma torre de eletrodomésticos completamente camuflada. Tudo conversa entre si e parece um único elemento”, afirma.
Atrás do pilar foi criada uma despensa, que também passou a delimitar de forma natural o acesso à área de serviço, aproveitando a geometria do apartamento para ampliar o armazenamento.
Outro destaque é a bancada em superfície sólida mineral, com cuba esculpida no mesmo material, reforçando a sensação de continuidade e facilitando a manutenção diária.
“O projeto foi pensado para simplificar a rotina. Escolhemos materiais resistentes, fáceis de limpar e soluções que favorecem a circulação, pensando tanto no presente quanto na longevidade dos moradores”, diz a arquiteta.
Durante a obra, a maior preocupação foi o desvio de uma tubulação predial que impediria a integração completa entre os ambientes.
“Se aquela tubulação permanecesse onde estava, seria necessário construir uma grande caixa de alvenaria atrás do sofá, comprometendo totalmente o projeto. Felizmente conseguimos desviar a instalação e preservar a integração que os clientes tanto desejavam”, lembra.
A marcenaria desempenha papel central no projeto, reunindo diversas funções em um único desenho contínuo. Mais do que organizar os espaços, ela ajuda a esconder elementos técnicos e reforça a linguagem contemporânea da cozinha.
Hoje, o ambiente tornou-se o verdadeiro coração da casa. É ali que Tom Zé prepara suas receitas, Jô recebe filhos e netos e a família compartilha os momentos mais importantes do dia.
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