A cada novo ano letivo, a escola transforma seus ambientes em convites ao aprendizado, à imaginação e à descoberta.

Espaços que provocam perguntas e ampliam horizontes: ambientes da Fundação Torino são concebidos como territórios de experiência, investigação e descoberta
Texto: Revista Habitare · Fotos: Divulgação
Como os espaços podem ampliar as formas de aprender? Cada vez mais, a educação contemporânea reconhece que aprender não se limita aos conteúdos trabalhados em sala de aula. A aprendizagem se constrói na relação que o estudante estabelece com os conhecimentos, com as pessoas, com o ambiente e com as experiências e contextos dos quais participa. Espaços que despertam a curiosidade, convidam à exploração e dialogam com o que está sendo investigado ampliam essas possibilidades, mobilizando, de forma integrada, cognição, emoção, imaginação e pertencimento, dimensões fundamentais para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.
Pesquisas em neuroeducação e psicologia do desenvolvimento reforçam a importância dos ambientes escolares na experiência de aprendizagem. Espaços acolhedores, instigantes e coerentes com as propostas pedagógicas podem favorecer a atenção, despertar a curiosidade, ampliar repertórios e estimular relações mais significativas com o conhecimento. Essa compreensão orienta um olhar atento para os diferentes espaços da Fundação Torino, entendidos não como cenários neutros, mas como espaços que comunicam, provocam, acolhem e ampliam possibilidades de investigação e construção de sentidos. Essa atenção se estende a toda a escola e ganha especial relevância na Scuola Materna e na Scuola Elementare, etapas em que a exploração do ambiente, a imaginação, a experiência sensorial e as interações assumem papel particularmente importante. É a partir dessa perspectiva que, a cada ano letivo, a Fundação Torino renova e ressignifica seus ambientes, integrando arquitetura, identidade visual e intencionalidade pedagógica ao cotidiano escolar.
No novo ciclo letivo, que se iniciou em agosto, os alunos da Scuola Materna foram recebidos pelo projeto “Il Mare che ci Racconta” (“O mar que nos conta histórias”). Inspirado no universo dos oceanos, o conceito transforma os espaços da escola em ambientes que convidam à exploração, à imaginação e à descoberta. O mar aparece como ecossistema, linguagem e metáfora. Ao longo do ano, as crianças serão estimuladas a compreender a diversidade da vida marinha, os ciclos da natureza, a importância da preservação ambiental e as conexões entre povos e culturas construídas pelas navegações. Os ambientes também servirão de cenário para experiências sensoriais, narrativas, pesquisas e atividades que incentivam a curiosidade e o sentimento de pertencimento ao planeta.
Já os estudantes da Scuola Elementare embarcaram em uma jornada inspirada pelo cosmos, que toma por eixo o livro “O despertar do universo consciente”, de Marcelo Gleiser. Sob o tema “Universo em Interconexão”, a proposta convida as crianças a olhar para o céu para, então, redescobrir a Terra. Ao compreender que nosso planeta faz parte de uma imensa teia cósmica, os estudantes são convidados a perceber também a delicadeza, a singularidade e a preciosidade da vida que aqui se desenvolve. Das pequenas descobertas do cotidiano às grandes perguntas sobre a origem e o funcionamento do universo, o percurso busca despertar curiosidade, imaginação e pensamento científico, mas também cultivar encantamento, pertencimento e cuidado. Mais do que conhecer o cosmos, trata-se de reconhecer-se como parte dele e, a partir dessa consciência, fortalecer uma relação de admiração, responsabilidade e paixão pelo planeta que habitamos.
Segundo a diretora-geral da Fundação Torino, Márcia Naves, a ambientação dos espaços faz parte da proposta pedagógica da instituição e contribui para tornar a aprendizagem mais envolvente e significativa. “Entendemos que a aprendizagem acontece em todos os momentos da vida escolar. Cada intervenção em nossos espaços nasce de uma intenção pedagógica: criar atmosferas que despertem o olhar, suscitem perguntas e ampliem a relação dos estudantes com aquilo que vivem e investigam na escola" afirma a educadora.
Márcia também destaca que a proposta busca criar oportunidades para que os estudantes construam conhecimento de forma integrada e participativa. “Ao transformar o espaço, transformamos também as possibilidades de encontro com o conhecimento. Um ambiente pode convidar à observação, à pausa, à descoberta, à conexão entre ideias. Nosso papel é criar condições para que a escola seja vivida como um território de investigação, imaginação e construção de sentidos, um lugar em que aprender também significa perceber-se em relação com o outro, com o mundo e com aquilo que ainda não conhecemos” destaca a diretora-geral da Fundação Torino.
A educadora ressalta que essas intervenções nos ambientes partem também da compreensão de que o design pode orientar comportamentos ao tornar determinadas experiências mais acessíveis, visíveis e desejáveis. O piano aberto no foyer, por exemplo, transforma um espaço de passagem em oportunidade de experimentação musical e pode despertar nos estudantes o interesse por um novo instrumento. No 4º Liceo, a linha do tempo que articula história da arte e acontecimentos históricos converte a parede em uma ferramenta de leitura e conexão entre saberes, oferecendo uma estratégia complementar para a organização dos conhecimentos mobilizados no Esame di Stato – um exame com a chancela do Ministério da Educação da Itália, para obtenção do diploma internacional. As provas acontecem simultaneamente às aplicadas aos estudantes na Itália.
A proposta reafirma uma compreensão cada vez mais presente na educação contemporânea: o espaço escolar não é neutro, ele participa da formação. Como defendia o educador italiano Loris Malaguzzi, o ambiente atua como o “terceiro educador”, sendo o aluno o primeiro e o professor o segundo. Ao articular pedagogia, design, arquitetura e experiência sensível, a Fundação Torino transforma seus ambientes em territórios de possibilidades, nos quais cada escolha pode provocar encontros, despertar curiosidades e abrir novos caminhos para aprender, criar e se relacionar com o mundo.
Sobre a Fundação Torino
Há 50 anos reconhecida pela consolidada tradição científica e humanística, a Fundação Torino, regulamentada pelos governos brasileiro e italiano, atua como Escola Internacional, da Educação Infantil ao Ensino Médio, e oferece duplo diploma aos seus alunos, que podem ingressar nas mais conceituadas universidades do Brasil, da União Europeia e da América. As ações educacionais da Fundação Torino ultrapassam seus muros, trazendo várias conexões entre temas como literatura, música, arte, esportes, tecnologia, entre outros. Atuando como Centro de Línguas, a Escola oferece cursos de idioma também na modalidade on-line, sendo referência no ensino de italiano, idioma do berço da cultura ocidental.
Em 2016, a Fundação Torino inaugurou seu Centro Cultural, que abriga a biblioteca Dante Alighieri, com títulos em vários idiomas; um auditório com programação variada de palestras e uma moderna galeria dedicada a exposições fotográficas. Toda a programação do Centro Cultural da Fundação Torino é gratuita.
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