Em sua estreia na mostra em Florianópolis, a arquiteta parte das memórias da avó paterna para criar a casa de uma poetisa colecionadora de arte, com pedras naturais, lareira e os quatro elementos como fio condutor

CASACOR SC: Arantxa Severo estreia na mostra com o Living Manifesto, ambiente de 80 m² inspirado na ancestralidade
Texto: Agência A Assessoria · Fotos: Lio Simas
Inspirada no tema da CASACOR SC deste ano, Mente e Coração, a arquiteta Arantxa Severo, que faz sua estreia na mostra em Florianópolis, trouxe para o Living Manifesto um ambiente alinhado com o tema, mas também conectado ao criador, à nossa essência e à nossa função na Terra.
Para isso, ela pensou na casa de uma artista que se expressa através da escrita, mas que também é uma grande apreciadora e colecionadora de arte.
“Como arquiteta, trouxe para o ambiente uma variedade de tons, texturas, formas e materiais, indo atrás da própria ancestralidade da moradora para nortear minhas escolhas e sentir a verdade da personagem. Identifiquei, assim, que o pai dela é um geólogo, um grande conhecedor das propriedades físicas que compõem a terra, e a mãe, antropóloga, é dedicada a estudar o ser humano. Desse resultado veio essa poetisa, que, mais do que uma personagem, também remete à minha própria história”, diz a arquiteta.
Arantxa conta que não conheceu a avó paterna, mas, através de relatos, vê muito da sua inspiração nela: uma mulher de variados talentos, que escrevia poemas e tinha cursos de psicologia, música, pintura, cerâmica e tapeçaria. Essa última arte, inclusive, se destaca no projeto em uma escultura em tapeçaria com formato de árvore, entre outros itens que contribuem para narrar a história.
Alinhados ao projeto, e pensando na profissão do pai da personagem, os minerais inspiraram a escolha do piso, uma rocha natural em tom verde que vem do Rio Grande do Sul e contextualiza o passado da artista, também de origem gaúcha.
Esse resgate introspectivo foi o ponto de partida para um ambiente de 80 m², cujo objetivo é trazer ao visitante um olhar sobre a verdade e o sentir que a personagem carrega, nos tons, nas formas e nos elementos que compõem o projeto, mas, acima de tudo, fazer o público sentir quem é essa mulher através do próprio olhar.
“Espero que os visitantes da mostra possam senti-la sem conhecê-la e imaginar a vida desta mulher multitalentosa e inspiradora”, afirma a arquiteta.
Os quatro elementos
Na composição, a arquiteta apostou em tons variados, como o verde escuro do piso, orgânico e bem marcado, estruturado como se emergisse do solo e abraçasse o espaço. A pedra se torna, assim, portadora de memória e se complementa com a tela na entrada do ambiente, um grande horizonte que remete à natureza e às origens da personagem.
Nesse espaço, a arquiteta criou a área de trabalho da artista, fazendo do local o centro do ambiente, onde ela se expressa e passa a maior parte do tempo. Ali, ela apostou em um aparador feito com a mesma pedra do piso, também criado como se emergisse do solo, além de uma lareira que traz aconchego e a sensação de casa com memórias.
Arantxa teve como premissa trabalhar os elementos terra, água, fogo e ar. O fogo veio como elemento central da casa, representado pela lareira, que aquece, transmuta e fortalece. O ar, que está em tudo, é representado pelos livros. A terra, presente no piso, se expressa ainda em diversos materiais, e a água surge nas prateleiras de vidro texturizado, que lembram o elemento.
A arquiteta destaca a sala de estar como o centro do projeto, a alma do living, fechada por um aparador baixo de livros que acolhe as leituras da artista.
Para a cozinha, Arantxa escolheu uma rocha cearense chamada Nacarado, cuja natureza lembra uma pele e suas veias. Remetendo à terra, o tom alaranjado traz a sensação de acolhimento.
Entre as artes expostas, as escolhas mesclam a inspiração da personagem e o gosto pessoal da arquiteta, remetendo à ancestralidade e mostrando em cada detalhe os gostos e as verdades da moradora.
Assim nasce o Living Manifesto, um projeto que representa o momento atual da arquiteta, descrito como uma grande manifestação, em que tudo o que ela carregava na memória foi materializado.
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