Passaram pelo HIF, no segundo e último dia do fórum, nomes como Pat Bosch, Marco Artigas, FGMF, Kofi Bio, Rebelo de Andrade e Kai-Uwe Bergmann

Segundo dia do Hunter International Forum 2026 leva ao palco grandes nomes da arquitetura mundial com debates sobre futuro, legado e transformação
Texto: Revista Habitare · Fotos: Ana Ferriani
A segunda edição do Hunter International Forum (HIF) chegou ao fim após dois dias de programação dedicados à arquitetura, ao design e às transformações que atravessam o ambiente construído. Ontem, dia 30 de setembro, no Auditório Simon Bolivar, no Memorial da América Latina, em São Paulo, o fórum reuniu profissionais e escritórios do Brasil, Estados Unidos, Dinamarca, Portugal, Gana e outros países para uma programação que colocou em pauta diferentes formas de pensar o papel da arquitetura na sociedade contemporânea.
Arquitetura como instrumento de transformação
Entre os destaques do segundo dia esteve a participação de Pat Bosch, da Perkins&Will Miami, que apresentou três histórias – um haicai, um poema e uma charada – como ponto de partida para discutir diferentes experiências de arquitetura. A profissional abordou projetos realizados em contextos tão distintos quanto o Rio de Janeiro e Riad, na Arábia Saudita, destacando como elementos locais, cultura e necessidades específicas podem orientar as decisões de projeto.
Em um dos exemplos apresentados, tecidos de mercados locais foram utilizados como referência para uma proposta desenvolvida no Rio de Janeiro. Já em Riad, um projeto universitário incorporou uma fachada perfurada que contribuiu para reduzir em 37% o consumo de energia.
Outro momento foi protagonizado pelo arquiteto Solano Benítez, que trouxe para o debate a relação entre arquitetura, escassez de recursos e criatividade. Para o arquiteto, a crise da profissão não estaria relacionada apenas à falta de recursos ou conhecimento, mas também à necessidade de ampliar a capacidade de imaginação diante de contextos sociais complexos.
Durante sua participação, Benítez apresentou o MIA – Museo de la Memoria de la Industria y la Arquitectura, um museu afiliado à Fundação Pompidou, em Foz do Iguaçu, concebido como uma estrutura construída com tijolos de terra e solo local. A proposta foi apresentada como exemplo de uma arquitetura conectada ao território e às condições específicas de cada lugar.
Legado, memória e arquitetura como prática democrática
A programação também promoveu uma conversa entre representantes do Instituto Burle Marx, Instituto Bardi e Instituto Lina Bo e P.M. Bardi e Virginia Villanova Artigas Institute, em uma mesa dedicada ao legado de alguns dos principais nomes da arquitetura brasileira.
Isabela Ono, do Instituto Burle Marx; Marco Artigas, do Instituto Bardi; e Bruno Simões, do Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, participaram da discussão sobre a preservação da obra e do pensamento de arquitetos que compreenderam a arquitetura como uma prática relacionada à democracia e à vida coletiva.
O encontro também abordou a trajetória de Roberto Burle Marx, incluindo sua atuação na criação de jardins públicos e sua relação com a paisagem brasileira.
Novos caminhos para a arquitetura brasileira
O escritório FGMF Arquitetos levou ao HIF uma apresentação centrada em contexto, transição e tectônica. Conhecido por trabalhar com diferentes escalas e tipologias, o escritório apresentou projetos que exploram as relações entre arquitetura, natureza e cidade.
Entre os trabalhos destacados estavam Casa Guaimbê, de 2005, concebida a partir da ideia de uma residência protegida e integrada à paisagem; Casa Colina, descrita como uma extensão do terreno e uma espécie de jardim habitável; e projetos como Ibirá Work e Near Parque do Ibirapuera, que estabelecem conexões entre diferentes espaços e a vegetação urbana.
A apresentação evidenciou uma arquitetura interessada em ultrapassar limites convencionais entre interior e exterior, edifício e paisagem, estrutura e experiência.
Estreia mundial do documentário 360°
Um dos momentos especiais do encerramento do HIF 2026 foi a première mundial de 360°, documentário original da Architecture Hunter dedicado ao trabalho do arquiteto português Luís Rebelo de Andrade, fundador do estúdio sediado em Lisboa.
Com 45 minutos de duração, o filme acompanha a trajetória, os processos e as pessoas que fazem parte do universo do arquiteto. O título faz referência à ideia de observar a arquitetura de todos os ângulos, aproximando o público do cotidiano do estúdio e das diferentes etapas que envolvem a criação arquitetônica.
Após a exibição, Luís Rebelo de Andrade e Tiago participaram de uma mesa-redonda com o público, ampliando a discussão proposta pelo documentário.
Materiais, território e responsabilidade
A relação entre arquitetura, materiais e transformação do planeta também esteve no centro da programação com Kofi Bio, do escritório Adjaye Associates. Em sua apresentação, o arquiteto partiu da ideia de que o mundo está mudando e que os materiais disponíveis para a construção também precisam ser repensados.
A trajetória do escritório, construída ao longo de três décadas, foi apresentada por meio de projetos como o National Museum of African American History and Culture, em Washington, o Museum of West African Art e a Abrahami Family House.
Com atuação também em Gana, o escritório destacou uma arquitetura relacionada à identidade cultural, à materialidade e à conexão com o continente africano.
Bjarke Ingels encerra segundo dia com reflexão sobre materialidade
O segundo dia teve ainda a participação de Kai-Uwe Bergmann, do BIG – Bjarke Ingels Group, que abriu sua apresentação com uma reflexão sobre sua infância, viagens e experiências que contribuíram para sua relação com materiais e arquitetura.
Bergmann contou como o contato com diferentes espaços e ofícios despertou seu interesse pela criação de lugares com significado. A apresentação percorreu projetos e experiências que vão de CoppenHill, em Copenhague, e a LEGO House, até um hotel em uma casa na árvore e um projeto para o Rei do Butão.
A ideia central apresentada foi a de que a arquitetura pode assumir diferentes escalas e formas de impacto, sem necessariamente depender da monumentalidade.
Um fórum para diferentes perspectivas
Ao reunir profissionais de diferentes gerações, países e linhas de atuação, o Hunter International Forum 2026 encerrou sua segunda edição reforçando a proposta de criar um espaço internacional de intercâmbio para a arquitetura.
A programação do evento transitou entre espaço público e vida urbana, impacto social, cultura, inovação material, sustentabilidade, legado, processos criativos e futuro do ambiente construído, aproximando experiências de diferentes partes do mundo.
Mais do que uma sequência de palestras, o HIF 2026 foi estruturado como um espaço de encontro e troca de perspectivas, com discussões que conectaram arquitetura, sociedade, território e cultura.
Concebido pelo Architecture Hunter, o HIF 2026 ocupou um espaço projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1989, a partir da concepção de Darcy Ribeiro. O cenário reforçou a proposta do encontro de promover um diálogo entre diferentes culturas, perspectivas e experiências da arquitetura mundial.
Patrocinadores e Parceiros — HIF 2026
Em sua segunda edição, o HIF é apresentado por Coral e Deca, conta com patrocínio premium de Arqos, Barts&Co, Líder e Portinari, e o apoio Arkos, Blue3 Heaven e Duratex.
Serviço
HIF 2026
Datas do fórum: 29 e 30 de setembro de 2026 (terça e quarta-feira), das 8h45 às 18h30
Local: Auditório Simon Bolívar — Memorial da América Latina, São Paulo, Brasil
Experiências Exclusivas: 28 de setembro, 1º e 2 de outubro de 2026
Instagram: @architecture_hunter @hunterinternationalforum
Sobre Hunter International Forum
O Hunter International Forum é o encontro anual da Architecture Hunter — um espaço onde a arquitetura se transforma em conversa.
Nascido da crença de que a América Latina merece uma plataforma de nível internacional para discutir, debater e celebrar o design, o HIF foi criado para colocar perspectivas internacionais e locais em diálogo e posicionar a região como protagonista ativa da cultura arquitetônica global.
A primeira edição aconteceu em agosto de 2025, no MASP — Museu de Arte de São Paulo, reunindo centenas de arquitetos, designers e pensadores durante dois dias de palestras, painéis e experiências compartilhadas.
Sobre Architecture Hunter
A Architecture Hunter é uma plataforma de mídia digital fundada em 2013, nascida de uma profunda paixão pela arquitetura e da crença de que o bom design tem o poder de transformar o mundo.
O que começou como uma página no Instagram evoluiu para uma rede global, com forte presença nas redes sociais, um site dinâmico, um canal no YouTube e experiências imersivas que celebram algumas das vozes mais inspiradoras da arquitetura. A plataforma é construída sobre quatro pilares fundamentais: inspirar, informar, entreter e educar.
Baseada em curadoria e movida pelo design, a Architecture Hunter tornou-se uma referência global — uma fonte de inspiração, conhecimento e conexão para milhões de apaixonados por arquitetura em todo o mundo.
Informações à imprensa:
Camila Russi
11 98498-4639


