Do reconhecimento como retratista às pesquisas com novas técnicas e materiais, o artista paulistano constrói uma obra marcada pela liberdade criativa e pela experimentação.

Roberto Camasmie: uma vida inteira dedicada à arte
Texto: Redação Habitare · Fotos: Roberto Camasmie Art Gallery
Na esquina da Rua Bela Cintra com a Alameda Lorena, nos Jardins, em São Paulo, as vitrines da Roberto Camasmie Art Gallery revelam diferentes momentos de sua produção. Retratos, flores e paisagens urbanas dividem espaço com trabalhos recentes, em um endereço que se tornou parte da história do artista. A diversidade das obras reflete uma pesquisa que se renova por meio de novas técnicas e possibilidades de expressão.
A relação com a arte começou cedo. Aos 11 anos, Camasmie vendeu um retrato a uma colega de escola. Em 1966, iniciou sua carreira profissional, dedicando-se inicialmente aos desenhos em preto e branco. Filho de uma família de origem síria e libanesa, o paulistano conquistou reconhecimento pela habilidade em retratar pessoas. Jacqueline Onassis, Sophia Loren, Catherine Deneuve e a princesa Diana estão entre as personalidades que fazem parte de sua produção.
O retrato abriu caminho para uma investigação artística mais ampla. Ao longo de sua trajetória, as cores ganharam intensidade e a figura humana passou a receber interpretações mais livres, com referências à pop art e à obra de Andy Warhol. Camasmie também incorporou colagens, costuras e materiais inusitados às telas. Em 2005, na exposição Mães de Chocolate, utilizou chocolate como recurso artístico, ampliando as possibilidades de sua linguagem.
As paisagens urbanas passaram a integrar essa pesquisa. Na série New York in Gold, a arquitetura de Nova York foi reinterpretada por meio de texturas, relevos e aplicações de folhas de ouro de 24 quilates. Em 2026, apresentou Gotejar, exposição inspirada na técnica de gotejamento associada a Jackson Pollock, explorando o movimento da tinta e as composições formadas por suas sobreposições.
A liberdade criativa também se manifesta na maneira como Camasmie compreende a relação entre arte e público. Suas imagens ganharam espaço em objetos de uso cotidiano, ampliando as possibilidades de convivência com a produção artística. A própria galeria, com vitrines voltadas para uma esquina movimentada de São Paulo, estabelece um contato direto entre suas obras e a cidade.
Entre retratos de personalidades, figuras da vida pública e experiências abstratas, Camasmie desenvolveu uma linguagem que incorpora diferentes referências. O domínio do desenho e a observação da figura humana, presentes desde o início de sua carreira, também alimentam suas investigações com cores, materiais e composições.
Na galeria dos Jardins, essas diferentes linguagens convivem e revelam os caminhos de uma pesquisa artística em permanente movimento. Da precisão dos retratos à liberdade das experiências com tinta e materiais, Roberto Camasmie encontra na experimentação uma maneira de ampliar seu universo criativo e descobrir outras possibilidades para a pintura.
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